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domingo, 12 de abril de 2015

Ironman 70.3 Brasília - A visão do lado de cá da prova

Já faz um tempo que venho querendo relatar o outro lado da versão de quem acompanha as provas de triathlon. Já li alguns relatos de esposas, namoradas e amigas de triatletas e confesso que tudo que li até hoje sempre me pareceu muito feminista, esquisito, triste e/ou sarcástico. Sei que ainda sou "novata" na função que carinhosamente chamo de "staff" e não sei se depois de viver anos e anos nesse trampo (sim, no fundo é um trampo...) eu escreveria igual a esses relatos que mencionei... Sendo assim, deixarei aqui registrada a minha visão do lado de cá de uma prova de triathlon e quem sabe um dia eu releia e faça algumas alterações, rs...

Acho que não é novidade pra ninguém que eu namoro o Dani, um triatleta (lindo <3) que está em um ano sabático, se dedicando de corpo, alma e coração aos treinamento para o Ironman que acontecerá dia 31 de Maio em Florianópolis. Até lá, todas as provas são grandes check points de seu desempenho e fazem parte do plano de treinamentos para o "grande dia". Já acompanhei algumas provas de triathlon da modalidade Olímpica em Santos e uma prova chamada Challenge que aconteceu também em Florianópolis em Novembro de 2014 e que corresponde a mesma distância de um Ironman 70.3 - ou "meio Ironman" (1.9k de natação / 90k de bike / 21k de corrida). Essa é uma prova que não é tão conhecida como o Ironman (que é uma marca registrada) e, por isso, não tem todo o glamour e repercussão. O número de atletas também é menor... 

No dia 5 de Abril, aconteceu a grande última prova que servirá de avaliação nessa loucura, ops, sonho do meu Gatinho: o Ironman 70.3 em Brasília. Apesar de ser a mesma distância do Challenge, agora tinha a pompa que a marca  famosa agrega.

Sexta Feira - 3 de Abril - Embarque de Sampa para Brasília

Embarcamos na Sexta Feira, 3 de Abril e o aeroporto estava cheio de bikes. Foi engraçado demais! Nesse momento, senti a primeira tensão do final de semana: o Dani tinha levado a bike dele protegida, mas fora de uma mala específica para transporte. E se caísse? E se quebrasse? E se sumisse? E se... Achei melhor engolir a preocupação para não deixa-lo (mais) nervoso. O jeito era torcer para dar tudo certo... E deu! Chegamos em Brasília e nesse momento vimos que vários atletas despacharam a bike do mesmo jeito. De qualquer forma, lição aprendida: só mala-bike daqui pra frente!


Embarque para Brasília

Depois do check in feito, almoçamos num shopping perto do hotel e nesse mesmo dia fomos visitar a Exposição e retirar o Kit. Achei bem organizado e tranquilo. Lá, um painel enorme com os nomes de todos os inscritos virou point para muitas fotos com olhares e sorrisos orgulhosos. Nessa hora, foi muito engraçado ver as namoradas / esposas / companheiras: tinham as extremamente atletas também (que faziam eu me sentir um peixe bem fora d'água), paramentadas de tênis de corrida, bermuda de compressão e Garmin no pulso e as "gente como a gente", de short jeans e blusinha branca (meu uniforme em provas), muitas vezes com bebês fofos a tiracolo. Quando eles crescerem, sentirão muito orgulho do papai com certeza!


Nós e o famoso M Dot

(Alô, alô meninas solteiras de plantão!!! Indico que comecem a frequentar provas de Triathlon para fazer uma prospecção, viu? Espero que meu Gatinho não leia isso, mas a quantidade de homens bonitos/gostosos por CENTÍMETRO quadrado é impressionante. Misericórdia! Hahahahaha! Eu reclamo mas to aqui incentivando a paquera das Maria Macaquinho, rs...)

Kit na mão, fomos visitar um amigo do Dani que mora em Brasília. Depois, era hora de voltar para o hotel, descansar um pouco e depois partir para jantar com os amigos do Dani em um restaurante de massas. Aliás, esse é o cardápio único e exclusivo de um final de semana de prova: carbo, carbo e carbo, para o terror de quem, como eu, não gastaria mais de 3.000 calorias dias depois. Sendo assim, o jeito foi tentar não entrar na onda e intercalar as refeições de carbo com saladinhas... O restaurante era muito gostoso e os amigos do triathlon que o Dani fez são muito unidos e legais. Todos se apoiam, brincam, se divertem e fazem muita força juntos. Dia tranquilo finalizado, era hora de dormir (cedo, sempre cedo...) para descansar.




Kit na mão e jantar delícia!


Como diz o pessoal da Run & Fun: #povolindo



Cantina da Massa

Sábado - 4 de Abril 

Hora de acordar e ir para a Exposição assistir ao Simpósio Técnico da prova. O Dani queria chegar cedo e ver o primeiro simpósio (teriam dois horários) e lá estávamos nós perto das 9h, De novidade, foi anunciado que agora teria anti-doping para os atletas amadores. O pessoal deve ter gostado porque nessa hora rolou um aplauso em massa...


Nós no simpósio técnico


O pessoal compareceu em peso 

Os amigos do Dani chegaram para assistir o simpósio das 10h. Como nós já tínhamos visto, era hora de voltar para o hotel. Certo? Errado! :-) O Dani quis ficar para assistir de novo porque todos combinaram uma foto da galera depois. Eu sai de lá com todas as regras decoradas, mas valeu a pena esperar. A foto ficou muito legal! Acho bem bacana essa união que eles tem. O esporte trouxe muitos amigos para o Dani e, de quebra, pessoas muito legais para eu conviver também.


Time Run & Fun

Sábado depois do almoço (de massa, para o Dani, rs) voltamos ao local da exposição (sim, você fica indo e voltando para o lugar de exposição o final de semana todo... turismo mesmo, foi de dentro do carro... eu até que queria dar umas voltinhas, conhecer a cidade, mas o Dani não estava muito no clima não... espero que o dia que o acompanhar em uma prova em Miami seja diferente, hehehehe) porque era dia de fazer o bike check in: momento de largar a magrela e os apetrechos para a prova no local de transição.


Por incrível que pareça, ainda sobra lugar pra mim na cama...


Sacolinhas pra organizar a transição


Eu e as tralhas! :-P

(Pausa para os apetrechos... Tem MUITA tralha que precisa ser levada para uma prova dessas. Muita... E mesmo com uma listinha do que não pode ser esquecido, sempre tem o risco do esquecimento... Tem gel, pozinho, frequencímetro, capacete, treco pra encher pneu, espuma não sei do que, viseira, roupa de borracha, líquido pra desembaçar óculos, caramanholas... Uma lista quase infinita de coisinhas, cada qual com sua função.)

Nessa hora, os acompanhantes não podiam entrar na área destinada a transição. O jeito foi esperar na feirinha da exposição e dar uma voltinha no local que era muito bonito e gostoso. Depois que eles deixam a Bike e as tralhas, lá vão os futuros "meio Iornman" fazer a tatuagem com o número da prova (também chamado de BIB). É incrível: eles saem dessa marcação parecendo pombos de tão estufado que o peito fica. Ao colocarem os números, parecem que ganham uma dose extra de energia de auto estima e até o andar dos atletas fica diferente. Todos repetem as mesmas fotos nos mesmos lugares do dia anterior, porém agora com a blusa da camiseta arregaçada. Muito cômico observar essas mudanças...


Meu "meio" Ironman tatuado


Já morta de orgulho do meu Gatinho


Momento fofura <3


Minha aquisição para a prova!

Saindo de lá, paramos no mercado para comprar coisinhas pro café da manhã e depois fomos para o hotel. Como precisávamos sair (muito) cedo no dia seguinte, teríamos que fazer o nosso próprio café... Abri um vinhozinho pra relaxar (porque não sou uma mulher de ferro) e ficamos lá repassando os detalhes para o dia seguinte. Chegou um determinado momento que o Dani ficou mudo... Compenetrado... Me enchendo de cafuné e carinho, mas sem falar uma palavra... Iniciou uma concentração para a prova que só terminaria no dia seguinte, depois de cruzar a linha de chegada. Como já conheço meu Gatinho, respeitei seu silêncio e fiquei me distraindo de outras formas.

Horas depois, despertador programado para às 4h, Ipad com iluminação baixa para não atrapalhar o sono do Gatinho, tacinha no criado mudo e às 21h e meu amado já estava me dando boa noite... Logo menos tratei de dormir também para não parecer um zumbi no dia seguinte.

Domingo - 5 de Abril - o grande dia!

O Dani pulou da cama direto como sempre. Eu fiz uma preguicinha de leve pois estava bem sonolenta... Mas o medo de perder a hora e atrasa-lo é sempre enorme... Tratei de engatar a primeira e pular da cama junto. Vesti minha roupinha, engoli um lanche e partimos para o local da prova.

(Fui com a minha camiseta tiete porque queria que todos soubessem do meu orgulho por estar ali com ele naquele momento)


Eu <3 my triathlete

Chegamos no local da prova TÃO cedo que o segurança não entendeu o que fazíamos ali aquele horário. Posso jurar que fomos os primeiros a chegar! Enrolamos um pouquinho no carro e na saída já encontramos alguns amigos do Dani. Todos estavam com rostos muito apreensivos... Para a grande maioria, não seria a primeira vez que fariam essa prova ou essa distância, mas nesse momento todos viraram "virgens" de novo. Conversando com a Poly, esposa do Luiz, nos divertimos comentando como as "staffs" precisam agir em dias de pré e prova:

1) Temos que escolher as palavras certas para não gerar mais tensão
2) Nosso papel é apoiar, e isso às vezes significa apenas não atrapalhar
3) A frase mais dita em dias pré e de prova é: Claro amor, como você quiser... Você escolhe...
4) Temos que entender mudanças repentinas de vontades e humor e fingir demência


Madrugando... ZZZzzzZZzz

Faz parte... E fazemos tudo isso com muito humor e amor. Não tem preço ver a pessoa que você ama se realizando.

Nessa hora, montamos o nosso grupinho de "staff" que ficaria junto até o final da prova: Cássio (o treinador do pessoal), Poly, Eu e Carlão.


Staff


Vai encarar?


Aos poucos, o local da prova ia enchendo... Roupa de borracha colocada, fomos todos para o pier da largada da natação. Fiquei com eles lá até bem próximo do momento da largada, tentando dar carinho e falando palavras de incentivo para o Dani. Sei o quanto para ele a natação é desafiadora e eu fico muito apreensiva quando ele cai na água (só sossego mesmo quando sai da bike, mas isso é assunto para alguns parágrafos a frente, rs)... Ao sair da área da largada, reparei em quanta gente estava ali acompanhando a prova: pais, mães, filhos, filhas, esposas, maridos, amigos, familiares. TODOS muito felizes e emocionados. O clima nesse momento é de arrepiar...


Dani, pronto pra nadar! #sqn

A largada - Natação

Diferentemente de todas as provas que assisti, a largada do 70.3 de Brasília se deu com os atletas já dentro da água. Me posicionei de um lugar que conseguisse enxergar um pouquinho e ao longe, ouvi o barulho da buzina. Com os olhos cheios de água e o coração acelerado, agora era só rezar e torcer para que a natação fosse tranquila e que nenhum tronco aparecesse pra afundar o Dani.... Rs...


A largada

O mar de gente nadando é uma cena muito linda de se ver. Ficamos ali, sem reconhecer ninguém, mas admirando todos. Aos pouquinhos, pequenas "filas" de nadadores iam de formando em pequenos pelotões. Fomos até um local onde conseguiríamos ver os atletas passando ao sair da água. Fiz as conta de quanto tempo o Dani levaria para sair e... Nada. Um, dois, três minutos depois e... Nada.


No lago, um mar de gente...

Passaram muitos amigos da Run & Fun e nada dele. Tentava disfarçar meu nervosismo mas meu coração estava apertado: alguma coisa tinha acontecido. Detalhe: ele passou 5 minutos depois do que estava prevendo, mas esses 5 minutos pareceram uma eternidade. Acho engraçado porque eu sempre vi imagens de provas de triathlon e me perguntava como que as pessoas reconheciam os atletas que ficam todos iguais nessa hora e hoje eu enxergo o meu Gatinho bem de longe!

Cerca de 40 min depois, ele saiu da água... Haja coração...

(Depois ele me contou que precisou parar uns 3 minutos para respirar porque estava se sentindo um pouco mal com a roupa e o calor da água... Que bom que ele desistiu de desistir da prova!)

A bike

Bom... Saiu da água, tá vivo, coração descansa... Só que não. Eu só fico tranquila mesmo quando ele sai pra correr porque sei que ai não existe mais nenhum perigo "real". Se na natação o atleta pode afogar, na bike ele pode, de fato, sofrer um grave acidente. Obviamente, a velocidade média de uma prova é beeeeeem diferente daquele passeio que a maioria das pessoas está acostumada a dar no parque. Existem picos de mais de 50km/h! Um descuido e o estrago pode ser grande... Então... Lá vamos nós sofrer por mais algumas horas...

Eu e o staff fomos para o local onde os atletas iam fazer uma curva acentuada e, consequentemente, poderiam passar um pouco mais devagar do que o normal. Hahahaha. Ilusão a nossa. Pelo menos o Dani e os amigos dele passaram por ali voando!


Ainda consegui ganhar um beijinho! <3

Nos posicionamos estrategicamente em um ponto que conseguiríamos reconhecer eles do outro lado da Rodovia e daria tempo de acompanhar a subida na curva. Essa hora foi muito bacana: estávamos na frente de uma super atleta especializada em ultra maratonas, que tinha um mega fone e ficava incentivando e brincando com o pessoal. Gritava várias vezes que "se pegasse vácuo, Deus tava vendo!". Foi muito bacana também o companheirismo da Poly, Carlão e Cássio: todos estávamos de olho em todos os atletas da Run & Fun e nos avisávamos quando um passaria. Foi assim em todo o trajeto da bike e depois da corrida.


Staff unido

A essa altura da manhã, o Sol já judiava de todos e o calor estava forte. Depois de quase 3 horas suando e me entupindo de protetor solar, consegui ver o Dani passar duas vezes por esse local, constatei que estava vivo e sem machucados (não caiu, ufa...) depois ganhei beijos e tchauzinho e já era hora de voltar para o local de transição e acompanhar a saída para a corrida.

A corrida

Nos posicionamos bem na saída da transição. De lá, conseguíamos ver o pessoal chegando da bike e depois saindo para correr... Vimos o Luiz, marido da Poly e amigo do Dani sair
da corrida e, alguns minutinhos depois, foi a vez do Dani.

Ao vê-lo se aproximar, notei que ele estava sem viseira. Foi o tempo de comentar com o Carlão "será que ele vai querer a minha viseira" que o danadinho passou por mim, voltou e carinhosamente arrancou a minha viseira da cabeça... Achei que fosse pelo menos ganhar um beijinho (no Challenge, nesse exato momento, ganhei uma bitoca), fiz biquinho e... Fiquei no vácuo. Hahahaha. Dei risada com o Carlão e me preparei para mais quase 2h queimando o coco e agora sem viseira. De qualquer forma, antes eu do que ele... Sendo assim, taca-lhe pau no protetor solar!!!


Dani vindo ao fundo... Sem viseira...


 Dani correndo... Com viseira! :-P

Após o episódio da viseira, fomos para um local onde conseguiríamos ver o pessoal passando pelo menos mais duas vezes. Na hora da corrida, muita gente sofrendo, trotando leve, com muita câimbra. Dava pra ver no rosto de cada um o sofrimento e a vontade de terminar aquela prova. Íamos incentivando a todos que precisavam. Nessa hora, toda torcida é válida e todos ali já são campeões. Os termômetros marcavam 30 graus e o tempo estava muito seco.

Na primeira volta do Dani, acho que a dor na consciência pesou e ele parou 1 segundo para a minha famosa bitoca, rs. Vi que meu Gatinho estava cansado mas estava "inteiro" e isso era um bom sinal. Nas últimas provas, a corrida foi um momento bem chato para ele pois não conseguiu dar tudo de si e os resultados não foram os melhores...

Depois da segunda passagem ele, eu e o Carlão esperamos a Kami (amiga de treinos) passar e nos dirigimos para a chegada. Encontramos a Poly e seguimos juntos... Com a chuva. Sim, para aliviar um pouco, São Pedro mandou um leve pé d'água para esfriar os atletas e molhar (bastante) todos os acompanhantes.

Quando cheguei perto do pórtico, fiquei de olho no relógio. Quando vi que ele marcava 4h50 de prova, mais um pulo no coração e um nó no estômago: o Dani tinha como objetivo terminar essa prova com um tempo abaixo de 5h e dali por diante, todo minuto seria importante. O Luiz passou com quase 4h54 e eu sabia que o Dani estava, pelo menos uns 4 minutos atrás dele. Depois de respirar fundo, vi ele vindo ao fundo. Aquela olhadinha básica para o relógio e percebi que não tinha mais como não atingir a meta... E com 4h56 de prova, ele cruzou a linha de chegada.



Agora é só comemorar


Vai, Gatinho!!!


Considerações finais

A prova foi muito bem organizada... Brasília estava "cheirando" esportes: por onde você andava, via um atleta com uma pulseirinha de participante da prova na mão. Achei muito legal poder saber de longe "quem era quem"...

Não adianta explicar: para quem minimamente gosta de esportes e / ou tem alguém ali pra enfrentar um desafio desses, a emoção é à flor da pele. Me peguei várias vezes com os olhos marejados e os pelinhos do corpo arrepiados... Algumas pessoas me falam: você pode pegar um sol e passear enquanto ele faz uma prova dessas. Oi? Impossível desgrudar o olho da prova. Não só para procurar o Dani, mas também procurar seus amigos, ver o olhar das pessoas, a superação de cada um, torcer junto por quem você nem conhece...  Qualquer prova de triathlon por si só já é emocionante... Mas essa prova foi bem especial.

Cansa? Sim, cansa... São horas em pé embaixo de sol, chuva, vento, anda pra lá, anda pra cá, leva mochila...  Fica tensa na água, fica tensa na bike e relativamente relaxa na corrida, mas sempre olhando pro relógio. E uma prova dessas começa muito antes, com treinos, alimentação e descanso. Dois dias antes, o assunto é só prova, prova, prova, kit, bike, número, trajeto, revisão de regras, prova, prova e mais prova. Você até tenta puxar um assunto diferente, mas não rola. Na noite anterior, não tem assunto de prova, mas tem silêncio de concentração.

Para muitas pessoas, isso pode parecer uma tortura, mas para mim não. Não canso de dizer que amo acompanhar meu Gatinho e isso é muito verdade... Só eu sei o orgulho e a felicidade que eu sinto em poder compartilhar momentos assim com ele.

Eu cresci sabendo que o que eu mais queria era um companheiro de vida, não só alguém pra chamar de namorado. Sempre quis uma pessoa que estivesse ao meu lado para o que der e vier e que me fizesse bem. Que eu me sentisse uma pessoa melhor quando essa pessoa estivesse ao meu lado do que quando eu estivesse sozinha. Hoje, tenho certeza que tenho comigo uma pessoa que é muito mais do que eu sempre pedi.

Gatinho, não tem sol, chuva, vento, suor, cansaço ou qualquer outra coisa que seja maior do que a vontade de te ver sorrindo e me abraçando depois da linha de chegada. E eu estarei com você em todas que você desejar cruzar. Te amo!


<3

terça-feira, 7 de outubro de 2014

50 razões pelas quais eu sou apaixonada por você



Em todos os sites elas estão aos montes: como perder peso em 10 passos, como conquistar aquela mulher linda em 22 lições, 17 maneiras de driblar o colega chato do trabalho, como ser feliz com 37 atitudes diferentes, as 100 melhores empresas para você trabalhar. As listas, definitivamente, se tornaram parte do nosso dia a dia. Temos a lista das nossas músicas preferidas, conseguimos listar nossas tarefas do dia a dia, podemos listar os filmes que desejamos assistir e sentar para fazer uma listinha com os lugares que queremos conhecer ou coisas que queremos fazer até o final da vida é muito prazeroso.

Pois bem. Essa noite eu sonhei que viajava para Londres com o Dani e eu tinha na mão uma listinha com as coisas que eu gostaria de fazer com ele lá. Não consigo me lembrar exatamente tudo o que estava escrito no nosso "to do" Londrino, mas acordei feliz e, claro, com aquele sorriso bobo de quem gostou do sonho e não queria acordar. Sai de casa apressada pro causa do rodízio mas com ele no meu pensamento. Pensei que, diferentemente de como costumo fazer, nunca tinha parado para "listar" nada relacionado a ele, rs. Tudo tem acontecido de forma natural e tranquila, assim como sempre deveria ser, né?

Vim dirigindo e lembrando da forma maluca que nos conhecemos, em como somos pessoas de sorte por termos nos encontrado nesse mundo cheio de pessoas esquisitas. Pensei em como minha vida estava diferente há uns meses e em como ele me faz bem hoje. Ai lembrei que essa é uma semana muito importante na vida dele pois Domingo estará correndo a sua primeira maratona em Chicago. Um grande marco para todo atleta amador. Imagino a mistura de sentimentos que deve estar borbulhando dentro da sua cabeça... Senti uma alegria imensa e fiquei feliz por estar ao seu lado nesse momento.

Comecei a pensar em como eu, com todos os meus escudos e capas, me tornei uma pessoa apaixonada, boboca e meio brega da noite para o dia. Como isso seria possível? Foi ai que, meio que sem querer, comecei mentalmente a listar os motivos e resolvi deixar aqui registradas as 50 razões pelas quais eu sou apaixonada por ele!

  1. Você me olha como se eu fosse a Gisele Bündchen
  2. Você é o motivo dos meus sorrisos, todos os dias
  3. Você tem um beijo que tira meu fôlego
  4. Você sorri e seus olhos ficam lindos e pequenininhos
  5. Você tem o abraço mais anatômico do mundo
  6. Você faz comida para mim, mesmo dizendo que não sabe cozinhar
  7. Você diz que aprendeu a comer couve comigo
  8. Você faz com que ao seu lado seja sempre o melhor lugar para eu estar
  9. Você começou a esquentar o pãozinho com azeite na chapa
  10. Você lava a louça. Você lava a louça. Você lava a louça...
  11. Você arruma todas as coisas que possuem botão e fio para mim
  12. Você levanta mais cedo e me serve café da manhã na cama
  13. Você fica extremamente sexy com todas as suas “fantasias” de atleta
  14. Você faz cafuné até eu dormir
  15. Você é meu parceiro e deixa eu ser sua parceira
  16. Você tem uma barba cerrada linda que cresce em menos de 12h
  17. Você compra docinhos quando eu estou triste
  18. Você faz café de coador para mim, mesmo sem tomar café
  19. Você tem o peito com altura exata para que eu deite e fique confortável
  20. Você pra mim é um exemplo de determinação e disciplina
  21. Você me faz querer ser a namorada mais doce e carinhosa do mundo
  22. Você às vezes pode até me irritar mas nunca me tira do sério
  23. Você me faz gargalhar
  24. Você cozinha milho e tira da espiga pra eu comer no pratinho
  25. Você fez com que eu sentisse “frio na barriga” de novo
  26. Você faz com que uma ida ao mercado seja divertida
  27. Você me incentiva a ser uma “puro sangue” mesmo eu sendo uma “pangaré”
  28. Você faz com que eu olhe para a tela do celular e fique com cara de boboca
  29. Você treina comigo mesmo que para você seja uma simples marcha atlética
  30. Você rouba meu lado da cama mas me encolher por você não é sacrifício nenhum
  31. Você faz com que as Segundas, Terça e Quartas pareçam abismos até chegar Quinta à noite
  32. Você sempre anda de mãos dadas
  33. Você é extremamente carinhoso e delicado comigo
  34. Você faz com que eu me sinta segura, linda e querida
  35. Você enche minhas gatas de carinho, mesmo sem gostar de gatos
  36. Você acha que sou uma princesa e me trata como tal
  37. Você faz com que o tempo ao seu lado voe
  38. Você faz questão de ser simpático com meus amigos
  39. Você ama bebês e crianças
  40. Você é alto, magro, cheiroso e lindo
  41. Você faz planos comigo para o final de semana que vem, para o mês que vem, para o ano que vem
  42. Você é educado, íntegro e inteligente
  43. Você faz com que eu seja a namorada mais orgulhosa do mundo
  44. Você é divertido, engraçado e está sempre de bom humor
  45. Você valoriza e respeita sua família
  46. Você fica acordado até mais tarde pra conversarmos, mesmo caindo de sono e fechando os olhinhos sem querer
  47. Você se encaixa na conchinha comigo como ninguém
  48. Você adapta a sua rotina sempre que pode para podermos ficar mais um tempinho juntos
  49. Você tem o poder de fazer eu gostar mais de você a cada dia que passa
  50. Você faz com que eu queira fazer uma lista das 50 razões pelas quais eu sou apaixonada por você 
Obrigada por essas e tantas outras, gatinho! <3




segunda-feira, 14 de julho de 2014

O casamento


Eu acho que casar é relativamente fácil. Escolhe-se o local da festa, faz-se um planejamento financeiro, contratam-se dezenas de fornecedores, reúnem-se os amigos e familiares, assinatura no papel e pronto. Casados oficialmente. 

O nosso mundo anda um lugar estranho, nada fácil de viver. A cada ano que passa, eu tenho mais certeza de que no final o que importa mesmo é estarmos rodeados de pessoas do bem, de gente que nos faz bem e nos quer bem. E escolher um parceiro de vida faz parte da nossa busca pela felicidade. Enfrentar a vida com alguém do seu lado deveria ser sempre mais fácil do que enfrenta-la sozinho.

E é por isso que eu acho que o mundo seria um lugar infinitamente melhor se todos os casados fossem, de fato, casais. Se decidissem viver juntos, todos os dias de suas vidas. Porque casar pode levar apenas algumas umas horas e viver junto leva tempo. O tempo todo.

Tenho certeza que, após 14 anos de união, deve ter pelo menos uma década que a Carol e André ouvem a famosa frase: “e ai, quando vocês vão casar?”. Mas será que precisaríamos mesmo do dia de hoje para transformá-los em casados? E o que faz de um casal um casal? Seria apenas o juramento da fidelidade eterna? Um pedaço de papel? 

Eu não tenho essa resposta, mas acho que juntos a Carol e o André formam um dos casais mais casais que eu conheço, e não precisam de alianças para simbolizar essa união porque seus laços não podem ser representados por um simples objeto material. Eles são, de fato, parceiros. É difícil encontrar por ai quem tem Ideologia de vida e atitudes sempre em perfeita sintonia. Quem tem a sorte de, assim como eu, conviver com eles, sabe do que estou falando.

Há pouco tempo, eles decidiram enfrentar a rotina e os desafios de morar em uma cidadezinha longe daqui porque assim seria melhor para os dois. Sem dramas, sem stress. “O André passou em um concurso, gente. Vamos nos mudar para Goiás. Não, não é Goiânia, é Jataí. A cidade é pequena, mas tem as Termas pertinho. E acho que não vou precisar mais usar carro! Vou trabalhar de bicicleta.” Foi assim que a Carol resumiu o anúncio de que mudaria de endereço enquanto nós, amigas bobocas, marejávamos nossos olhos já de saudades.

Ao logo de todos esses anos, eles compartilham as suas conquistas, choram as dores, algumas perdas e fornecem mais do que um ombro ou um colo. Vibram e torcem porque o sucesso de um se reflete no outro e chega até nós, todas as vezes que encontramos esses dois sorrisos enormes. 

Sempre me inspiraram casais como eles que se completam e que juntos são melhores do que seriam se estivessem separados. Eu pouco me lembro da vida minha amiga querida sem o André e olha que nos conhecemos há quase 30 anos. Acredito também que o inverso seja verdadeiro.

Tenho a certeza absoluta de que se existe mesmo essa coisa de “almas gêmeas”, as deles se encontraram nessa vida. Uma vez eu ouvi: que sorte quando se encontra o amor da sua vida, na sua vida.

O que eu mais posso desejar para vocês nessa nova etapa de vida se não todo o meu apoio e carinho? Sejam ainda mais felizes. Sejam ainda mais completos. E sejam sempre vocês: dois singulares lindos que se transformaram num plural incrível! 



“E que vocês se recebam como marido e mulher e prometam ser, além de fieis, leais. E que sejam, porque creem que seus sentimentos são verdadeiros e não apenas porque alguém disse que precisam agir assim. Que estar juntos seja sempre um querer e não uma obrigação. Que se amem e se respeitem e, justamente por isso, entendam os dias não muito bons, mas que seus olhos sempre digam o que fazer quando o coração apertar. Que continuem parceiros de vida na alegria e na tristeza, na saúde e especialmente na doença de qualquer um que seja especial para vocês. Que assim seja, todos os dias das suas vidas, enquanto vocês desejarem que assim seja.” 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Um brinde aos tombos!


"É como andar de bicicleta: você não esquece nunca". 

Há uns 12 anos, meu namorado da época insistiu para irmos ao Ibirapuera andar de bike, geração saúde etc. e tal e eu pensei "porque não?". Tinha o ditado popular a meu favor. Tinha a minha paixão a meu favor. Não tinha como dar errado, mas deu. Bastaram uns 10 minutos de aventura para eu atropelar duas pessoas, voar da bike e, por sorte, não me machucar. Antes que você me pergunte, claro que aprendi quando era criança, mas depois perdi o costume e nunca mais andei. Depois desse tragicômico dia, segui a última década da minha vida afirmando e tirando sarro “siiiiim, a gente esquece sim”. Ai eu contava essa minha história, todo mundo ria e nessas eu sempre encontrava um ou dois que acabavam confessando que também não sabiam andar. Pronto, problema resolvido. Será? 

Depois de anos bloqueando meu cérebro, do nada decidi: vou aprender a andar de novo. O ditado não tinha como estar errado! Dessa vez, na falta de uma paixão, escalei minha melhor amiga e fomos para o Villa Lobos encarar a aventura. "Não tenho capacete. E se eu cair, bater a cabeça na guia  e morrer?" Sim, eu pensei isso. Frequência a mil, mãos suando, cérebro tentando trabalhar contra. Encarei meus medos e o resultado foi uma hora de diversão na ciclo faixa, algumas curvas estranhas, mas nenhum tombo.

Essa experiência que me fez refletir muito sobre as coisas que um dia aprendemos e, por causa de um episódio qualquer, deixamos de fazer por acharmos que não somos mais capazes, por acharmos que não conseguimos, não merecemos ou por qualquer outro motivo que nos trava e nos faz parar. Lembrei do dia em que uma amiga me disse: “acho que não sei mais como me apaixonar, como vou deixar que alguém entre de novo aqui dentro depois do que aquele idiota fez comigo”. Um mini infarto clássico, não? Desilusões amorosas às vezes deixam o coração peludo, desconfiado, avesso a qualquer sentimento e as pessoas seguem repetindo como um mantra do mal: “eles (as) são todos (as) iguais, eles (as) são todos (as) iguais”. 

Aí um belo dia a desiludida lá do Nepal (sim, porque aqui em São Paulo ninguém age assim... #SQN) cruza com um cara bacana, que começa a tratar a moça bem (bem diferente do último boçal) e ela já começa a desconfiar. O cara liga e é um anormal porque hoje em dia “todo mundo usa Whatsapp, oras”. Ele faz uma gentileza e a dita cuja pensa “nossa, precisa disfarçar tanto que quer só me comer?”. O cara não tenta nada no primeiro encontro e ela já comenta com as amigas: “ah, sei lá, ele é meio estranho”. Oi?

Às vezes, os tombos anteriores não permitem nem por um segundo que o coitado do moço se aproxime um pouco mais porque ela não quer se machucar de novo (impossível), ou porque o fulano anterior é que era o homem da vida dela (e de muitas outras ao mesmo tempo às vezes, né?) e o outro não tem a mesma pegada, o mesmo olhar e a mesma malemolência (e, claro, a mesma intenção de fazê-la sofrer).

A realidade é que, apesar de todo mundo falar que uma desilusão amorosa passa, a gente sabe que (no fundo), nunca passa: a gente só tira o foco da atenção do passado e segue olhando para o futuro, aprende com o erro e aprende a esperar por algo diferente. E fazer isso já é uma grande vitória. Ser otimista e esperar sempre que o melhor está sim por vir é super saudável, mas saber identificar quando isso acontece, dar espaço e crédito para que uma nova história aconteça, é crucial pra barrar o ciclo vicioso do passado pegajoso.

Ninguém aqui é inocente e sabe que sim, sempre vão existir as pessoas que vão nos magoar propositalmente. Os FDPs estão aos montes por ai! Bingo, bem vindo à vida real! Sempre foi e sempre será assim, mas às vezes só não dá certo porque não tinha que dar e tudo bem, oras! Porque travar o Windows e dar pane no sistema? Um pouco de prudência, dinheiro no bolso e canja de galinha não faz mal a ninguém, mas quem se joga e vive, está sujeito a tropeçar. Ou a cair da bike... Então, proponho hoje um brinde aos tombos que a gente leva por ai, mas que eles nunca nos impeçam de começar sempre tudo de novo.

Tim tim!

Trilha sonora do post: Just Give Me a Reason (P!nk)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Entrelinhas


(Eu não sei se foi o meu olhar que denunciou tudo o que estava escondido ou se meu abraço começou a ser mais demorado ou se eu passei a não ser mais espontânea ou se eu falei a coisa errada ou certa ou se eu fui eu mesma e quis ser você também ou se eu cheguei cedo ou talvez tarde demais).

Quer tomar alguma coisa???

(Eu não sei se foi a minha mania de querer entender tudo de querer sentir tudo de ver sentido e significado em tudo e de querer controlar tudo tudo tudo ou se eu errei na dose pra menos ou pra mais ou se eu tive o dom de errar na mosca ao escolher você).

Fica mais um pouco, vai...

(Eu não sei se foi a expectativa do próximo Verão e eu sei que não lido muito bem com o calor e com tantas outras coisas também ou se foi a sensação térmica da Caatinga que eu sentia só de pensar em você mesmo com São Paulo a 6 graus na sombra - eu já disse que não lido muito bem com o calor? - pode ter sido praga do Outono que não aconteceu esse ano ou a falta de magia da Primavera que nem chegou para nós e aliás notei que todos estão a idolatrar Setembro e me deu preguiça de todo mundo ZzZZzzZZZzz e esse é o tipo de comentário que sei que faria você rir).

Claro que está tudo bem, porque não estaria?

(Eu não sei se é essa minha mania de ir atropelando os pensamentos de pensar demais e emendar uma coisa na outra sem conseguir fazer uma pausa um descanso porque eu tenho urgência e pressa de viver e eu sei que isso às vezes assusta e sei que eu tenho o dom de pausar quando não precisa e acelerar quando não pode e frear com tudo bagunçando as caixas empilhadas aqui e ai dentro).

Tudo bem, eu entendo.

(Eu não sei se foi porque eu descobri que você é alérgico a curry e mesmo assim insisti para jantarmos aquele dia no Indiano ou se foi porque notei que você mexe mais a sobrancelha esquerda quando está sério e eu te mostrei a minha cicatriz escondida no joelho e nem assim me lembrei daquelas internas quando decidi me jogar da ponte sentimental por você).

Se cuida você também!

(Eu não sei e talvez eu nunca vá saber mesmo o porquê a cada dia que passa seu last seen passa a ser mais last do que seen e você vai descendo na minha lista de conversas e minhas amigas já disseram pra eu deletar você mas não dá não é simples assim e rola aquele masoquismo péssimo de ficar te relendo pra tentar explicar o inexplicável e provar o improvável e curar o incurável e entender o porque simplesmente a gente acabou). Do nada. Sem vírgula. E ponto. Final.

Trilha sonora do post: Stay (Rihanna)